AgeMcia
na Mídia
Corretor
sob Demanda
Perguntou-se
a corretores e seguradores brasileiros sobre suas metas
para os próximos dois a quatro anos. As respostas
obtidas, na grande maioria das vezes foram, vender mais,
vender mais para o mesmo cliente, fidelizar e reduzir custos.
Na
prática, apesar da vontade e principalmente para
corretoras, os grandes desafios têm sido o de realizar
novas atividades de vendas, aliando a rotina tradicional
com novos empreendimentos de forma estruturada e eficiente.
Nas ações de cross selling, simplesmente tenta-se
vender ao cliente o produto que ele não tem a um
preço único, facilitando a operação
e reduzindo o tempo de planejamento, ignorando necessidades
e possibilidades dos clientes. Nas ações de
fidelização tenta-se agradar a qualquer custo.
Entretanto, como clientes e prospects estão cada
vez mais informados e exigentes, os resultados têm
sido insatisfatórios, gerando prejuízos no
processo de vendas de novos produtos e desmotivaçao
dos empreendedores. E cabe comentar que uma ação
mal feita prejudica ações futuras junto ao
mesmo cliente. E os motivos para o fracasso são evidentes:
1)
O cliente não está, necessariamente, disposto
a comprar o que não tem. Por exemplo, um jovem que
resida com os pais, não tem propensão a compra
de um produto de residência.
2)
Fidelizar não é agradar. É agregar
valor, seja com informação preciosa e inteligente,
mas principalmente com atendimento e ofertas adequadas.
3)
Ofertar o mesmo produto ao mesmo valor para todos os clientes
gera falta de vontade de compra em muitos, ainda que queiram
o produto.
4)
Uma abordagem inadequada, seja em preço, produto
ou comunicação, prejudica futuras abordagens
e reduz a taxa de lealdade do cliente. E são comuns,
ofertas inadequadas gerarem vendas para concorrentes.
Além
destes fatores, o corretor tem, tradicionalmente, atuado
com orientação para um único produto.
Um reflexo desta postura está no fato de que menos
de 1% das pessoas têm três produtos ou mais
na mesma seguradora. E esta orientação normalmente
se dá em produtos que obtêm comissões
elevadas, em termos de valor absoluto. E quando se vêem
utilizando seu tempo para vender produtos que têm
menor comissão, em valores absolutos, e ainda por
cima, com ações com baixíssimo retorno,
a desistência é quase uma conseqüência
natural entre os corretores.
Os
segmentos de mercado aceitam uma certa inércia e
as empresas, não raro, se acomodam em suas posições,
até que algum elemento externo seja inserido, gerando
medo da perda ou movimentação para mudanças.
Cerca
de três por cento do PIB tem sido historicamente a
participação do mercado segurador na economia
brasileira. Cerca de nove a dez por cento do PIB, tem sido,
historicamente o potencial de participação
do mercado segurador brasileiro.
Obviamente
que, não somente o comodismo tem freado o crescimento
do mercado, mas fatores como, elevados impostos, regulamentação
complicada e excesso de burocracia são fortes inibidores
de atitudes empreendedoras.
Atualmente
temos, perspectiva de crescimento econômico, desoneração
de impostos, tal como IOF, regulamentação
de novos produtos, criação de produtos mais
atraentes e certificação digital, gerando
euforia por crescimento e medo de perda para o concorrente.
Para
acompanhar o crescimento, sem perda de agilidade e sem inchaço
nos processos, faz-se necessário a utilização
de tecnologia da informação orientada a negócios.
Ademais de agilidade, as empresas, sejam corretoras ou seguradoras,
precisam atuar orientadas ao DNA de clientes e prospects.
Entramos na era do Sob Demanda.
Um
cliente com três produtos tende a ser três vezes
mais leal que um cliente com um produto. É mais fácil
vender para um já cliente do que realizar uma nova
conquista. É mais fácil conquistar por recomendação
do que por inspiração. As pesquisas revelam
que somente 16% das empresas têm desempenho satisfatório,
denotando que há um longo caminho a ser percorrido
por 84% das empresas existentes no país. Quem sair
na frente de forma correta, terá melhores resultados.
Em
uma pesquisa realizada pelo IPEA, que será disponibilizada
em maio de 2005, ficou comprovado que somente 2% das empresas
brasileiras têm postura inovadora. Estas empresas
conseguem cobrar 30% mais por seus produtos, são
as que mais lucram, proporcionam empregos mais duradouros
e é onde se pagam os maiores salários. 77%
das empresas têm postura atualizada e 21%, postura
defasada, seu faturamento é 135 vezes menor que o
na inovadora.
Grandes
grifes de roupas estão disponibilizando alfaiates
para irem a casa de clientes. Condomínios estão
se especializando em hotelaria, para aumentar o conforto
de moradores abonados e exigentes. Montadoras de automóveis
atuam de acordo com a elasticidade financeira do cliente
em toda sua vida.
Sob
Demanda não é uma vontade que se manifesta
do cliente para a empresa e sim uma percepção
clara da empresa para o cliente. O cliente tem que ser surpreendido
positivamente com o que lhe é necessário ou
o que é objeto de desejo. Sob Demanda é relacionamento
adequado e de valor. É oferta justa em preço,
produto, comunicação, canal e momento.
O
primeiro passo para ser Sob Demanda é desejar ser
melhor a cada dia, desejar crescer. O segundo passo é
aceitar que por mais inteligente e experiente que seja o
ser humano, sempre se pode acrescentar ao seu conhecimento
e de suas organizações, com descobertas, previsões,
etc. Para atuar Sob Demanda, não basta ser intuitivo
e experiente. Há que se utilizar pessoas capacitadas,
ter filosofia Sob Demanda, utilizar tecnologia da informação
e aplicar inteligência de negócios.
No
passado, o único indicador de evolução
das empresas era o resultado financeiro, mas após
diversas e repentinas quebras, as companhias observam atentamente
itens tais como satisfação do cliente, retenção
do cliente, lucratividade por cliente, taxa de sucesso no
lançamento de produtos e ROI.
Como
o cérebro humano é comprovadamente limitado
a oito comparações, a única forma de
obtenção de uma solução ótima
é através da utilização do conceito
Sob Demanda, de tecnologia para automação
de processos e análise de grandes volumes de dados.
Os
anos anteriores funcionaram como uma espécie de aquecimento
para o que está por ocorrer. As empresas que estão
entrando na era Sob Medida, uma espécie de visão
futurista, em termos de busca pelo cenário perfeito,
ofertarão soluções, produtos e serviços
altamente competitivos e satisfatórios para seus
clientes, obtendo os maiores resultados e participações.
Ricardo Villaça.
Diretor de Marketing e Planejamento
Publicado
nos Cadernos de Seguros da Funenseg - Ano XXV - No. 129